Bom dia a todos os que não nos leem… Bem que se lixe!! haverá algo mais deprimente do que falar sozinho? Sinceramente penso que há… e dei conta disto quando numa manhã em que “os arruaceiros” acordaram de uma noite de cinema e guitarradas, me pus a fazer torradas para o pequeno almoço… Sim é verdade eu sei fazer torradas…
Agora é a parte em que quem lê pensa “grande coisa!!” a minha resposta para vocês é “certo!”.. Fazer torradas de qualidade é difícil… Há varios factores em jogo, a torradeira, o pão, a disposição e o tempo de quem as faz, as “marcas” (já lá vamos)e…. muito mais importante… a afinidade de quem faz com a torradeira…
É sobre este ponto que incide esta ignobilidade de texto…
Dei por mim, naquela fatídica manhã, a dissertar com a torradeira… Aliás, minutos antes tinha rejeitado uma torradeira por não sentir aquela química.. então trouxeram uma nova variante que eu resolvi experimentar… A certo ponto, e desiludido com o falhanço da minha relação com o anterior electrodoméstico, comecei a tentar salvar a minha relação com o novo aparelho… E como em tudo, uma relação só se safa conversando…
E foi isso que fiz, disse-lhe umas palavras fofas do género “quem é o electrodoméstico mais bonito desta cozinha” e “sim estou-te a sentir comigo, sinto que esta relação poderá ter sucesso ao contrário da minha ex-torradeira”.. e mesmo assim, foi complicado que a torrada saísse como eu pretendia (com as “marcas”-já lá vamos)
Entretanto mudei de estratégia e fui mais longe… comecei tocar guitarra à torradeira… e eis que a luz ou fumo se fez (tava na hora de mudar de lado o pão)… e as marcas lá começaram a aparecer e a torrada perfeita saiu…
Resumindo e concluindo, para quem pensa que fazer torradas é um processo simples.. é porque não as faz com o sentimento inerente a qualquer acto doméstico… é preciso transmitir sentimento ao que fazemos (quer na cozinha quer fora dela).. deixar um pouco de nós, a nossa “marca” (ainda não é desta que vos quero falar)… ir mais longe… mesmo que seja em algo tão (aparentemente) simples como uma torrada… e sim, falem com as vossas torradeiras.. só assim elas também irão deixar a marca delas (e sim esta é a marca que falava em cima… aquela que torna a torrada especial)…
Um texto estúpido… ou uma analogia curiosa?