Dissertando com uma torradeira…

26 07 2008

Bom dia a todos os que não nos leem… Bem que se lixe!! haverá algo mais deprimente do que falar sozinho? Sinceramente penso que há… e dei conta disto quando numa manhã em que “os arruaceiros” acordaram de uma noite de cinema e guitarradas, me pus a fazer torradas para o pequeno almoço… Sim é verdade eu sei fazer torradas…

Agora é a parte em que quem lê pensa “grande coisa!!” a minha resposta para vocês é “certo!”.. Fazer torradas de qualidade é difícil… Há varios factores em jogo, a torradeira, o pão, a disposição e o tempo de quem as faz, as “marcas” (já lá vamos)e…. muito mais importante… a afinidade de quem faz com a torradeira…

É sobre este ponto que incide esta ignobilidade de texto…

Dei por mim, naquela fatídica manhã, a dissertar com a torradeira… Aliás, minutos antes tinha rejeitado uma torradeira por não sentir aquela química.. então trouxeram uma nova variante que eu resolvi experimentar… A certo ponto, e desiludido com o falhanço da minha relação com o anterior electrodoméstico, comecei a tentar salvar a minha relação com o novo aparelho… E como em tudo, uma relação só se safa conversando…

E foi isso que fiz, disse-lhe umas palavras fofas do género “quem é o electrodoméstico mais bonito desta cozinha” e “sim estou-te a sentir comigo, sinto que esta relação poderá ter sucesso ao contrário da minha ex-torradeira”.. e mesmo assim, foi complicado que a torrada saísse como eu pretendia (com as “marcas”-já lá vamos)

Entretanto mudei de estratégia e fui mais longe… comecei tocar guitarra à torradeira… e eis que a luz ou fumo se fez (tava na hora de mudar de lado o pão)… e as marcas lá começaram a aparecer e a torrada perfeita saiu…

Resumindo e concluindo, para quem pensa que fazer torradas é um processo simples.. é porque não as faz com o sentimento inerente a qualquer acto doméstico… é preciso transmitir sentimento ao que fazemos (quer na cozinha quer fora dela).. deixar um pouco de nós, a nossa “marca” (ainda não é desta que vos quero falar)… ir mais longe… mesmo que seja em algo tão (aparentemente) simples como uma torrada… e sim, falem com as vossas torradeiras.. só assim elas também irão deixar a marca delas (e sim esta é a marca que falava em cima… aquela que torna a torrada especial)…

 

Um texto estúpido… ou uma analogia curiosa?





Tertúlia de 83

22 07 2008

Recentemente revi dois “velhos” amigos (e por velhos não me refiro à idade pois são do mesmo ano que eu) com quem já não travava uma bela conversa sobre tudo e nada há algum tempo…

 

Um deles, referiu-se a nós como “Tertúlia de 83″, e qual vinho de qualidade aquele nome rapidamente ecoou na minha cabeça como se de uma revelação se tratasse…

Após a leitura do texto deste companheiro (aqui deixo o link http://wordsofasgard.blogspot.com), resolvi fazer dele as minhas palavras…

 

“Haverá melhor do que por a conversa em dia, num final de tarde solarengo, numa esplanada a beira mar plantada, com amigos com quem não se está todos os dias?
Creio que não…
Falar de 30000 coisas diferentes, falar de coisas sérias, de coisas parvas, de amores, de dissabores, do passado, do futuro, com pessoas que não vêem só a imagem exterior que metade do mundo vê…
Criar parvamente num momento de lucidez ébrio o nome para aqueles momentos em que mais não seja se começa com “Isto é um cubo…” ou então “é o bolicao”.
Continuo a achar que haverá poucas coisas melhores do que estes momentos passados entre amigos!
Pessoas a quem o significado de amigo cai que nem uma luva, apesar de separados pela distância, são pessoas que sabemos que podemos sempre contar!
São estes pequenos momentos que nos tiram a cabeça de toda a azafama do dia-a-dia, do trabalho, das dificuldades…
São estes momentos que nos fazem não importar com nada por 5 minutos e apreciar o momento de um brinde entre três amigos! ” (by Tiago Costa)

 

Concluindo apenas com o seguinte… Isto é um cubo… e nós estamos dentro deste cubo… independentemente da distância entre os vértices!! A amizade é exactamente isto…