Músicas Parvas- parte I

6 05 2008

 

Já se falou de pastilhas elásticas, já foram apresentados mandamentos, já se falou de spots publicitários que ficaram para a historia e até de apêndices linguisticos que pronto.. na falta de melhor, coiso.. Venho agora falar de um assunto que sempre me inquietou: as músicas parvas!!

 

Ora decorria então uma noite de profunda introspecção e por entre saltos partidos, sangria da “Universidade de Viseu” e partes rigínhas de fiambre quando dei por mim a analisar semanticamente as letras de musicas que estiveram em voga nos anos 60\70 e perduraram ao longo dos anos ate aos nossos dias..

Estas musicas têm em comum a peculiaridade  de terem letras incrivelmente, fabulosamente, espectacularmente,  PARVAS!!!  E assim sendo e estando eu na altura sobre o efeito etanólico debruçei-me com atenção sobre essa temática ( debruçei-me sobre temática ou sobre a sanita, agora não sei bem..) mas vejamos:

 

“(…) olh’á mala, olh’á mala.. olha a malinha de mão.. não é minha, nem é tua, é do nosso hidroavião.. (…)”

 

Isto remete-me para aquele estádio do desenvolvimento piageano pré-operatório que é marcado pelo animismo (crença das crianças de que todo o objecto que se move ou age é dotado de vida).. É de facto uma fofura imaginar um hidroavião pavonear-se pelas galerias do palácio do gelo com a sua mala na asa quando ao mesmo tempo todas as pessoas á sua volta comentam acerca da elegante “malinha de mão” que lá vai.. Também me faz lembrar de uns desenhos animados que são transmitidos no canal panda, mas vá.. adiante..

 

Vamos então a outros exemplos:

 

“o mar enrola na areia, ninguém sabe o que ele diz.. bate na areia e desmaia, porque se sente feliz.. (…) também o mar é casado, óóóóaiii, também o mar tem mulher, é casado com a areia, óóóóaiii, bate nela quando quer.. (…)”

 

De notar a subtil (e eu arriscar-me-ia mesmo a dizer quase oculta) mensagem que incita a violência doméstica .. Outro exemplo que enaltece a classe feminina e incitam á sua emancipação temos o grande hit “sebastião come tudo..”

 

“sebastião come tudo, tudo, tudo.. sebastibão come tudo sem colher.. sebastião é um pouco barrigudo.. e depois dá pancada na mulher..”

 

Ora então ficamos a saber que o sr sebastião para além de ser um “jabardo” a comer e provavelmente já dever uns meses ao ginásio, gosta de fazer da esposa um saco de boxe.. de notar que em nenhuma parte desta estrofe se fala em “copito de vinho”.. ao menos bate na mulher só porque sim e não porque está alcoolizado.. do mal o menos..

 

Existe uma música á qual não podia deixar de fazer referência mas como não existe comentários possiveis fica aqui o video..

 

 

 

MUITO MEDO!!!!

 

Hoje ficamos por aqui.. Claro que existirão muitas mais músicas dignas de referência mas das quais me esqueci.. Agradeço ao prezado leitor que teve a paciência de ler isto até ao fim, que caso tenha alguma música a acrescentar o faça.. Faxabor.. O prazer é todo seu porque pode ser que seja mencionado ao longo destes textos recheados de besturas..





1O Mandamentos da Besteiragem

6 05 2008

Num mundo cheio de dúvidas, de questionar a própria fé, surge um novo caminho….. a luz que todos nós procurávamos, que preenche o vazio….

A BESTEIRA!

 

Amada por uns, invejada por outros, esta surge para espalhar pelo mundo sentimentos de felicidade (devido à palhaçada, e à nossa figurinha). Nós descobrimos esta fé e ordem que nos completa e transforma (em arruaceiros, mas isso faz-nos felizes) e queremos partilhar convosco esta filosofia.

Guiamos a nossa vida segundo os seguintes 10 mandamentos da besteiragem:

 

•1º. Não cobiçarás a calinada alheia. (todos sabemos que tens estupidez e potencial para mais);

•2º.Amarás o Carioca de Limão… aditivado… sem chumbo;

•3º.Não recusarás pedaços de frango panado… (nós, a gente somos contra estrangeirismos.);

•4º.Ressacarás em actividades desportivas e repetirás “túbaros” imensas vezes;

•5º.Não profanarás a beleza da linguagem parola/serrana disseminando-a pelo mundo e terás sempre presente o vocabulário “atunageano”;

•6º.Deverás espalhar magia de forma arruaceira tendo comportamentos estúpidos e bizarros;

•7º.Guardarás sobriedade (pelo menos um do grupo) de modo a recordar as besturas no dia seguinte;

•8º. Guardarás a ida ao tasco pós ensaios e espalharás calinagem em doses anormais;

•9º. Criarás personagens ou histórias fictícias e estapafúrdias com as pessoas que t rodeiam e registaras estas em vídeo ou texto

•10º.Farás tudo para compilar todas as besteiras num blog e terás orgulho em dá-las a conhecer ao mundo.

 

Por isso, já sabes, (A)JUNTA-TE A NÓS e trarás felicidade aos que te rodeiam, aos donos de tascos, a multinacionais de comida rápida e quiçá a ti mesmo, não por ordem de relevância!





Coiso

6 05 2008

Eu fiquei com a parte das coisas, como tal vou começar por escrever acerca de algo que sempre me inquietou…..a utilização da palavra coiso…Porquê coiso? Porque não alforreca, batata ou até esfigmomanometro? A verdade é k há uma seita que venera a utilização desta palavra, encaixando-a em toda e qualquer oportunidade, e criando expressões únicas e estapafurdias que baralham qualquer ouvinte mais atento. Esta palavra ganhou um novo impulso graças a um sketch de gato fedorento (o que é que não ganhou impulso com eles), sendo que, agora, a seita “coisista” ganhou mais adeptos e ainda por cima orgulhosos. “olha e se..coiso……aquilo…..coiso……!” Perólas como esta, mostram o quanto o fácil está impregnado na sociedade de hoje em dia…até falar nos custa….o que virá a seguir?coiso

 

EU VOU…..mais outra pérola…esta relacionada com um evento muito publicitado na televisão…para mim é o exemplo perfeito do “mete nojo”…….porque hei-de eu saber se tu vais ou não?!…..é só para se vangloriar…Pior que isto, é a t-shirt EU FUI……o cumulo é que muitos dos que a envergam, se calhar, nem foram, mas alguem foi fofo o suficiente para trazer uma recordação do evento.É impressionante como até na publicidade, no “merchandising”- nao sei como traduzir sem deixar o contexto – a superioridade é valorizada, até incentivada….por isso, se foram, se vão, não digam isso em duas palavras, no máximo, digam: eu tive a necessidade de me deslocar a um evento musical/lazer que me custou os olhos da cara…….

Se não puderem ajudar, atrapalhem……o importante é participar…θ





A culpa é (mesmo) da língua…

6 05 2008

 

Como português preocupo-me com o estado do nosso país… O IVA desce 1%, a gasolina sobe 14 vezes (e já se espera ansiosamente a 15ª sequela), a corrupção cada vez mais (des)mascarada… enfim… vá-se la saber porquê de andarmos todos à nora neste cantinho à beira-mar plantado (desde que haja bandeira azul).

Nas minhas incursões mentais sobre a crise (vá, valha-nos o 1% do IVA) e em conversa com alguns colegas provenientes de outros países da Europa, apercebi-me que a culpa é mesmo da língua portuguesa… Porquê? vejamos…

Se formos a França e alguém nos disser “poubelle” “casse-couille” e “crachat” o mais provável (eu pelo menos responderia desta forma, como bom cromo que sou) era responder “obrigado, ainda bem que gosta, comprei ontem” (só mesmo para não parecer estúpido)… mas na verdade o que aquilo significa é caixote do lixo (poubelle), cromo/lerdo/estúpido, enfim… (casse-couille) e cuspidela (crachat)

Estes exemplos são uma gota no oceano, a ponta do iceberg… então foi aí que me bateu, nós não estamos mal… estão todos mal!!! só que lá os problemas apenas soam melhor do que cá.. ou seja a culpa é mesmo da língua…

Imaginem-nos a dizer, só cá temos “casse-couilles”, era mandar-lhes um “crachat” e colocá-los na “poubelle”…. soava muito melhor não soava??

 

…e depois acordávamos todos… com o despertador a tocar…

 

PS: fica uma pergunta, se a crise é generalizada… será que noutros países pensam da mesma forma?